Atenção! Você está utilizando um navegador muito antigo e muitos dos recursos deste site não irão funcionar corretamente.
Atualize para uma versão mais recente. Recomendamos o Google Chrome ou o Mozilla Firefox.

Notícias

BRB discute corte de cerca de 15% dos funcionários em PDV, e privatização volta ao radar pós-eleição

Facebook
Twitter
Google+
LinkedIn
Pinterest
Enviar por E-mail Imprimir
06/11/2026 - 08:40
 

Plano de reestruturação mira desligamento de 500 empregados a partir de dezembro; banco não comenta. Governo do Distrito Federal deve ainda insistir em empréstimo do FGC antes de encaminhar plano B para socorrer banco (Por Nathalia Garcia, Adriana Fernandes, Luany Galdeano e Ana Pompeu) -

O BRB (Banco de Brasília) discute enxugar seu quadro de funcionários em meio à crise gerada por operações com o Banco Master e, nos bastidores, o plano de privatizar a instituição voltou ao radar após a reeleição da governadora Celina Leão (PP), do Distrito Federal.

O banco planeja estruturar um PDV (programa de desligamento voluntário) que prevê, inicialmente, o corte de até 500 empregados –cerca de 15% do quadro de profissionais. Conforme relatório enviado pelo BRB à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), são 3.532 funcionários concursados. Incluindo terceirizados, comissionados e estagiários, o número sobe para cerca de 6.000. O plano de reestruturação teria início em dezembro.

Procurado, o BRB disse por meio de sua assessoria de imprensa que não iria se manifestar sobre os questionamentos da reportagem.

Segundo dois interlocutores ouvidos pela Folha sob condição de anonimato, os critérios ainda estão em análise e os moldes podem sofrer alterações a depender das necessidades do BRB. Uma das possibilidades ventiladas é que sejam elegíveis funcionários a partir de 38 anos de idade, com ao menos 20 anos de carreira no banco.

Se for levado adiante, o programa se tornará o maior da história do BRB. O último PDV, realizado em 2023, teve 139 adesões, acima da proposta inicial de desligamento de cem funcionários. Naquele ano, o programa gerou uma redução na despesa de R$ 14,4 milhões, segundo relatório de demonstrações financeiras do banco.

O programa de 2023 foi aberto para funcionários com 53 anos ou mais, idade mais próxima à aposentadoria, e que estivessem no BRB havia mais de 15 anos. Quem participasse do PDV teria direito a uma indenização de sete salários-base.

Outra proposta de desligamento voluntário chegou a ser desenhada para 2025, com os mesmos critérios, mas não prosperou. Naquela edição, estavam previstas 50 vagas.

As linhas gerais da nova proposta surgiram em uma conversa informal durante a negociação do acordo coletivo da categoria, entre agosto e setembro deste ano. O tema, segundo relato feito à Folha, avançou e foi discutido em conselhos do BRB.

Internamente, também foi debatida a possibilidade de venda do banco, com troca do controle acionário, como alternativa para socorrer o BRB. Antes de caminhar para o plano B, entretanto, a governadora do Distrito Federal deve insistir num acordo com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para poder capitalizar a instituição.

A opção de federalização do banco estava no radar do Governo do DF caso de o senador Flávio Bolsonaro (PL) tivesse sido eleito, de acordo com relatos obtidos pela reportagem. O tema, contudo, perdeu força com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Interlocutores do STF (Supremo Tribunal Federal) com conhecimento do assunto contam que chegou ao ministro Luiz Fux, relator da ação movida pelo Governo do Distrito Federal, a informação de que a gestão de Celina teria interesse em vender o Banco de Brasília para o BTG Pactual, que tem André Esteves como chairman.

À Folha o BTG negou ter interesse na aquisição do BRB e disse não haver negociação nesse sentido. Procurado por meio de sua assessoria de imprensa na quarta (4) e na quinta (5), o Governo do Distrito Federal não se manifestou até a publicação da reportagem.

Com a expectativa de que haveria uma solução para o BRB depois das eleições, o banco conseguiu melhorar sua situação de liquidez com a venda de ativos e com novos depósitos ao longo de outubro. Além disso, foi mantido o fluxo de depósitos judiciais e houve captação por meio de um fundo de securitização de dívida e de um fundo com carteiras de crédito do banco.

Durante a gestão do presidente Nelson Antônio de Souza, foram vendidos cerca de R$ 14 bilhões em ativos do banco. A melhora da liquidez deu sobrevida ao BRB, mas não resolveu o problema. Integrantes do próprio BRB reconhecem que, sem recomposição de capital por parte do Governo do DF, só haveria duas saídas para a crise: federalização ou privatização.

O acordo coletivo fechado pelo BRB prevê uma cláusula que concede estabilidade aos funcionários por dois anos em caso de privatização da instituição.

O BRB também tem conversado com investidores estrangeiros para fazer uma parceria para recompor o capital.
 
Hoje, o Governo do Distrito Federal é o acionista majoritário do BRB, com 53,71% das ações totais. Sem dinheiro em caixa para capitalizar a instituição, a gestão de Celina tenta obter um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o FGC.

O plano, contudo, está travado. Em maio, um acordo homologado no STF definiu que as principais instituições financeiras do país seriam fiadoras da operação. As contragarantias –para ressarcir os bancos em caso de inadimplência– viriam dos recursos provenientes do FPE (Fundo de Participação dos Estados) e do FPM (Fundo de Participação dos Municípios).

Sem avanço nesse desenho, Celina voltou a acionar o Supremo em uma tentativa de pressionar a União a ser a fiadora da operação com o FGC. O governo federal, por sua vez, chamou de "inteiramente descabida" a ação do Distrito Federal.

Fux tem dito a assessores não ter pressa para lidar com o caso, já que a negociação está em andamento. O relator considera também, segundo relatos, que eventual venda do banco poderia levar a uma solução diferente da desenhada até aqui, especialmente diante da dificuldade de pôr de pé o plano atual de salvamento.

Durante a disputa eleitoral, em outubro, Celina afirmou que a privatização do BRB estava "completamente descartada" e que os rumores a respeito do tema tinham o objetivo de desestabilizar sua campanha à reeleição.

"O BRB está firme, tem mantido a liquidez e as pessoas que acreditam no BRB sabem que nós vamos tirar o banco dessa situação. Nós estamos também conversando para pegar esse financiamento internacional para não depender de sindicatos de bancos aqui. Nós temos outras saídas também, mas não tem isso. [...] Descartado completamente", disse.

Fonte: Folha de SP

 

Tópicos:
visualizações