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Presidente do BC vê 'forte queda' da inflação nos primeiros meses de 2016

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16/09/2015 - 08:39

Alexandre Tombini participa de audiência na CAE do Senado Federal.
Energia elétrica deixará de impactar inflação no 1º semestre de 2016, diz.

A inflação anual deverá registrar "forte queda" nos primeiros meses de 2016, informou o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal nesta terça-feira (15).

"Em 2016, os números da inflação impactados pelo realinhamento de preços relativos cederão lugar a valores que refletirão melhor o estado corrente das condições monetárias [aumento dos juros promovidos nos últimos meses], levando a forte queda na inflação anual já nos primeiros meses do ano", declarou Tombini.

A inflação acumulada em doze meses está atingindo seu pico neste trimestre e deve permanecer elevada até o final de 2015"

Alexandre Tombini, presidente do Banco Central

Segundo ele, o aumento da energia elétrica, que ficará em cerca de 50% neste ano, deverá deixar de impactar a inflação ao longo do primeiro semestre do ano que vem. Além disso, acrescentou Tombini, o ajuste econômico que está sendo implementado pelo governo, com bloqueio de gastos e aumento de tributos, "contribuirá para uma dinâmica mais favorável da inflação".

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a inflação deu um certo alívio ao bolso do brasileiro de julho para agosto, ao desacelerar de 0,62% para 0,22% no mês passado. Trata-se do menor índice para o mês desde 2010. No entanto, no ano, o IPCA ficou em 7,06%, atingindo a maior taxa para o período desde 2003. Em 12 meses, acumulou alta de 9,53%, ficando, mais uma vez, acima do teto da meta de inflação do Banco Central, de 6,5%.

"A inflação acumulada em doze meses está atingindo seu pico neste trimestre e deve permanecer elevada até o final de 2015, requerendo determinação e perseverança para impedir sua transmissão para prazos mais longos. Nesse sentido, a política monetária [definição dos juros para conter a inflação] pode, deve e está contendo os efeitos de segunda ordem decorrentes desses ajustes de preços.", declarou Tombini.

Tombini acrescentou que o comportamento de indicadores de expectativas de médio e longo prazo mostra que a estratégia de política de juros "está na direção correta". Segundo ele, no início do ano, as expectativas [do mercado] para a inflação no período de 2017 a 2019 estavam "muito acima" do nível de 4,5% ao ano (meta central de inflação). Atualmente, disse ele, verifica-se "convergência" das expectativas para esse patamar em todo esse intervalo.

Inflação na meta em 2016
Apesar de o mercado financeiro estar elevando sua projeção de inflação para o ano que vem, mostrando que o objetivo central do Banco Central de trazer a inflação para a meta central de 4,5% no ano que vem não deve acontecer, Alexandre Tombini afirmou que o "cenário de convergência da inflação para 4,5% no final de 2016 tem se mantido, apesar de certa deterioração no balanço de riscos". Para o ano que vem, a estimativa de inflação dos economistas dos bancos passou de 5,58% para 5,64%, bem distante da meta central de 4,5% para 2016.

Taxa de juros
O presidente do Banco Central repetiu ainda que a avaliação, já divulgada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) da instituição, colegiado formado pela diretoria e presidente da autoridade monetária, que a manutenção dos juros básicos da economia, no atual patamar de 14,25% ao ano, por um período suficientemente prolongado de tempo é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016.

A expectativa do mercado financeiro é de que a Selic não seja alterada, pelo menos, até o fim deste ano. Para 2016, a estimativa dos analistas é de recuo dos juros básicos em um momento de recessão da economia brasileira e de alta do desemprego.

Ajuste fiscal
O presidente do Banco Central avaliou que o processo de "recuperação" de resultados fiscais, ou seja, de melhora da contas públicas com geração de superávits primários - a economia para pagar juros da dívida pública - tem ocorrido em "velocidade inferior à inicialmente prevista". Mais superávit fiscal facilita o controle da inflação, pois diminui a demanda na economia.

Segundo ele, é fundamental que seja mantida "determinação para a retomada de resultados primários positivos". "Considerando que o ajuste fiscal também possui suas próprias defasagens entre a discussão e a adoção das medidas e seus resultados, quanto mais tempestiva for a implementação do processo em curso, mais rápida será a retomada de uma trajetória favorável para a dívida pública e para a confiança de famílias e empresas", declarou Tombini.

Em sua visão, uma trajetória de geração de superavit primários que "fortaleça a percepção de maior sustentabilidade do balanço do setor público é fundamental para o ambiente macroeconômico e, portanto, para o crescimento sustentável à frente". "Trajetórias fiscais que afetem de forma negativa as expectativas dos agentes e, consequentemente, o preço de ativos, contribuem para criar uma percepção menos positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo", concluiu Tombini.

Fonte: G1

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