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Para ter bancos melhores e mais sólidos, acabe com os bônus

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21/10/2013 - 08:17

Se você acredita que pagar grandes participações nos lucros para executivos torna um banco mais competitivo, avalie isto: dois dos mais seguros do mundo se recusam a pagar qualquer bônus a seu mais alto escalão. Por várias décadas, havia apenas uma instituição desse tipo - o sueco Handelsbanken - que aboliu a distribuição de participações nos lucros e, em 1973, lançou, em vez disso, um programa de partilha de resultados que prometia um pagamento em dinheiro somente quando o participante completasse 60 anos. Era o único que não pagava bônus até a semana passada, quando o holandês Rabobank anunciou a extinção da remuneração variável para seu conselho executivo.

Os bônus dos dirigentes dos bancos são um assunto político quente. O ministro das Finanças do Reino Unido, George Osborne, processou a União Europeia (UE) devido ao pretendido limite máximo para os bônus em 2014. A medida limita a remuneração variável ao dobro do salário-base, sujeito à aprovação dos acionistas e desde que pelo menos 40% da bonificação seja adiada por três a cinco anos. Ainda assim com o banco tendo o "direito de retenção", que lhe permitiria manter o dinheiro, caso o desempenho se deteriorasse ao longo desse período.

Se adotado, o limite afetaria todos os funcionários de bancos cuja remuneração total ultrapassasse US$ 680 mil ao ano. Seus defensores franceses, alemães e italianos dizem que o limite reduzirá o incentivo para que os dirigentes dos bancos incorram em riscos desnecessários. O Reino Unido retruca que os banqueiros, um grupo mercenários, procurarão apenas as empresas em que não exista limite - os fundos de hedge e os bancos dos Estados Unidos e dos mercados emergentes. Isso esgotará a reserva de talentos do setor bancário de Londres e transformará o centro financeiro, conhecido como a City, num lugar atrasado gerido a partir de Bruxelas.

O argumento britânico não resiste à prova. Segundo recente estudo de Kevin J. Murphy, da Universidade do Sul da Califórnia, a mediana da relação remuneração variável sobre remuneração fixa dos dirigentes dos bancos foi de 1,5 na UE e de 9,3 nos EUA em 2011, mas os bancos europeus seguem competitivos.

Há também os exemplos do Handelsbanken e do Rabobank. O principal executivo do Handelsbanken, Paer Boman, recebeu um salário fixo de US$ 1,7 milhão e benefícios no valor de cerca de US$ 60 mil em 2012.

O Handelsbanken, o 22º colocado na lista da revista "Global Finance" dos bancos mais seguros do mundo, e 11º colocado na lista da "Bloomberg" dos bancos mais sólidos do mundo, ostentou um retorno sobre ativos de 0,6% em seu mais recente ano fiscal, comparativamente à média de 0,4% negativo atribuída a 28 bancos participantes do índice Euro Stoxx Financials. Um banco sensato, à moda antiga, com baixo apetite por risco, o Handelsbanken, no entanto, conquistou grande presença internacional, com 770 agências em 24 países.

Outra instituição conservadora, com foco em empréstimos ao setor agrícola e ao varejo, o Rabobank paga bem aos seus diretores: os cinco membros do conselho executivo ganharam um total de US$ 15,6 milhões em 2012, dos quais apenas US$ 272 mil vinculados a desempenho. O Rabobank é o 28º maior banco mundial em termos de ativos. É também o 10º mais seguro, segundo a "Global Finance". A exemplo do Handelsbanken, não precisou de ajuda do governo durante a crise.

Os opositores ao limite sobre o pagamento de participação nos lucros dizem que o foco em salários fixos, que já estão subindo em toda a Europa com a expectativa da imposição do limite, torna um banco mais vulnerável a ciclos e desaquecimentos dos negócios. Os exemplos do Handelsbanken e do Rabobank mostram que isso não é necessariamente verdadeiro. Ambas as instituições se concentram em operações bancárias comerciais, em vez de em banco de investimentos, e ganham muito dinheiro sem se envolver em derivativos sofisticados.

Os órgãos reguladores podem ser perdoados por puxar os bancos em direção a seu modelo de comportamento, por meio da severa restrição aos bônus. Se essas restrições permanecerem e se enrijecerem, as "estrelas" motivadas por enormes quantias de pagamento variável deixarão o setor e poderão, em última análise, tornar ainda mais necessário regulamentar o "setor bancário paralelo", os fundos e outras instituições que atualmente desempenham papel tão destacado no sistema financeiro quanto os bancos tradicionais.

Fonte: Valor
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