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Nota de crédito: Apesar de rebaixamento, Bovespa sobe e dólar cai

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26/03/2014 - 10:10

Mudança no rating pela agência Standard & Poor’s já era esperada pelos investidores. Bolsa subiu pela sétima vez seguida e o dólar recuou para R$ 2,30

Os mercados financeiros praticamente ignoraram ontem a notícia do rebaixamento do rating do Brasil pela agência de risco Standard & Poor’s. A bolsa subiu, o dólar e os juros caíram assim como o prêmio de risco do Brasil medido pelo CDS (Credit Default Swap) - um tipo de contrato negociado no mercado internacional que quando cai indica que os investidores estão menos temerosos de um risco de calote de um país.

Na análise de especialistas e gestores de recursos estrangeiros, isso não significa que o mercado ignorou o fato, apenas que já tinha se antecipado ao evento em si, apesar da surpresa da data do anúncio. Desde o ano passado, quando a agência colocou a nota em perspectiva negativa, os mercados foram aos poucos colocando a perspectiva de rebaixamento nos preços dos ativos.

Ontem o principal índice acionário da Bovespa chegou a ficar no terreno negativo, mas pontualmente. O fluxo firme de compra de investidores estrangeiros e a alta das bolsas internacionais sustentaram os ganhos domésticos. O Ibovespa encerrou o pregão com valorização de 0,39%, aos 48.180,14 pontos, o maior patamar desde 14 de fevereiro (48.201,11 pontos). Em sete sessões seguidas de alta, a bolsa já subiu 7,15%. No mês, a alta acumulada é de 2,31% mas ainda registra perdas de 6,46% no ano.

O ganho do Ibovespa foi puxado pelas ações mais negociadas da mineradora Vale, que subiram 1,66%. Esses papéis representam mais de 8% do Ibovespa. As ações da Petrobras também fecharam no azul. Os papéis preferenciais da estatal, mais negociados e sem direito a voto, avançaram 0,56%. Já os ordinários, menos negociados e com direito a voto, subiram 0,79%. Já os papéis preferenciais da companhia de energia Eletrobrás caíram 3,07%, enquanto os ordinários tiveram baixa de 1,86%.

O dólar teve a quarta queda seguida em relação ao real e fechou a R$ 2,30, caindo 0,6%. “O que consolou os investidores é que o Brasil não perdeu o grau de investimento e a perspectiva para a nota é estável”, disse o gerente de câmbio da Correparti Corretora, João Paulo de Gracia Corrêa.

País está sólido contra crise, diz BC

O Banco Central afirmou ontem que, apesar do rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência Standard & Poor’s, o País “tem respondido e continuará respondendo de forma clássica e robusta aos desafios” no novo quadro internacional. Segundo a instituição, essa resposta combina austeridade na condução da política macroeconômica, flexibilidade cambial e uso de colchões de proteção (como reservas em dólar).

De acordo com o Banco Central, o Brasil encontra-se bem posicionado nesta nova fase de normalização das condições financeiras globais e tem plena capacidade de atravessá-la com segurança.

“O País vem recebendo fluxos de capitais nos últimos meses que refletem em grande parte as políticas em curso. A qualidade das políticas em vigor deve manter o país bem preparado para o novo cenário internacional”, diz o comunicado do BC

Menos Injeções

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou que o mercado financeiro recebeu com “tranquilidade e maturidade” a notícia de rebaixamento. Segundo ele, esse fato já estava no preço dos ativos brasileiros.

Coutinho destacou que a Bolsa de Valores continua firme e que o dólar recuava no início da manhã, quando fez as declarações em audiência no Senado. “Aparentemente, até agora, o impacto de custo de capital não é relevante.”

A injeção de dinheiro nos bancos públicos, como o BNDES, foi apontada pela agência como uma das motivações para o corte na nota. Ontem, Coutinho reafirmou que os aportes ao banco serão menores este ano, “em sintonia com a política fiscal”, de forma a não pressionar as contas públicas.

O presidente do BNDES afirmou também que outras duas agências classificadoras de risco mantiveram sua avaliação sobre o Brasil. “Eu respeito a classificadora que reduziu, mas tenho confiança na firmeza da política fiscal brasileira.”

A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) colocou em dúvida a credibilidade da S&P ao afirmar que a agência não conseguiu identificar a crise financeira internacional de 2008. Também defendeu a política econômica do governo. “Os números da economia brasileira são sólidos e contundentes no sentido da qualidade de vida da população.”

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S&P diz que meta fiscal é ‘desafiadora’

A diretora de ratings soberanos da Standard & Poor’s, Lisa Schineller, não espera ver reformas e melhora fiscal neste ano eleitoral no Brasil. Ela afirmou ontem que o País tem menos espaço para manobra em caso de choque do que tinha no passado.

A deterioração fiscal, o baixo crescimento econômico e a piora das contas externas são as justificativas da S&P para o rebaixamento da nota de crédito brasileira anunciada na segunda-feira à noite, 24, de BBB para BBB-. “Não veremos reformas em um ano de eleição”, afirmou Lisa. Ela também avalia que não será fácil para o Brasil cumprir a meta de superávit primário de 1,9% do PIB estabelecida pelo governo para este ano. Lisa considera a meta “desafiadora”.

Sem perspectiva

A diretora disse que a decisão de rebaixar a nota de crédito não estava tomada antes de a equipe da S&P chegar ao Brasil. O time de Lisa esteve no País há duas semanas, para diversas reuniões com economistas do setor privado e autoridades do governo. Alguns especialistas acreditavam que a decisão sobre o rating poderia demorar um pouco mais, para considerar o desempenho fiscal do governo nos próximos meses.

Segundo ela, a visita ao Brasil teve o objetivo de coletar informações para traçar um amplo panorama da economia nacional. Como conclusão, ficou a visão de que não havia perspectiva de melhora da situação fiscal, além da expectativa de crescimento econômico mais fraco. “Foi uma decisão coletiva”, afirmou. Segundo Lisa, o fato de a perspectiva do rating do Brasil ser agora estável sinaliza que outro rebaixamento da nota de crédito do País não está no horizonte.

Fonte: Jornal O Popular

 


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