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BNDES e BB são os maiores credores da usina de etanol de amigo de Lula

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25/04/2013 - 09:17

De propriedade do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo pessoal do ex-presidente, a Usina São Fernando tem uma dívida de R$ 1 bilhão com 15 instituições financeiras 

Mais da metade da dívida bilionária da usina de açúcar e álcool do empresário José Carlos Bumlai, amigo e conselheiro do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, está nas mãos de bancos do governo federal. A Usina São Fernando entrou em recuperação judicial dias atrás e pendurou uma dívida de R$ 1,2 bilhão. Desse montante, cerca de R$ 540 milhões são financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Banco do Brasil (BB) ainda no governo Lula.

A São Fernando deve impostos, pagamentos a fornecedores e salários de empregados, mas seu principal problema é com 15 bancos, credores de mais de R$ 1 bilhão. Entre eles estão Bradesco, Santander, BTG, Itaú e BNP. Mas as dívidas com essas instituições são bem inferiores aos cerca de R$ 300 milhões que o BNDES tem a receber ou aos R$ 240 milhões emprestados pelo BB.

Foram essas duas instituições que financiaram a construção da Usina São Fernando, localizada em Dourados, no Mato Grosso do Sul. A operação com o BNDES foi aprovada em dezembro de 2008, logo depois do início da crise financeira global, numa fase em que os bancos privados se recolheram e pararam de emprestar. Mas o projeto da família Bumlai já estava em andamento, embalado pelo estímulo do governo Lula ao aumento da produção brasileira de etanol.

"O BNDES financia a indústria e o Banco do Brasil financia o agronegócio. São bancos voltados para esse tipo de investimento", disse ao Estado o empresário Guilherme Bumlai, filho de José Carlos. "É preciso separar as coisas: o amigo do ex-presidente é meu pai, quem toca a usina sou eu e meu irmão Maurício". Procurados, o BNDES e o BB não quiseram se manifestar.

Amizade. Pecuarista tradicional do Centro-Oeste, José Carlos Bumlai conheceu Lula por intermédio do ex-governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda, o Zeca do PT. Na campanha de 2002, o então candidato Lula gravou peças para o horário político numa das fazendas de Bumlai. Tornaram-se amigos a tal ponto que o pecuarista era recebido mesmo sem marcar hora pelo ex-presidente no Palácio do Planalto. Bumlai virou uma espécie de conselheiro de Lula para o agronegócio e passou a fazer parte do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social de Lula.

A ideia da Usina São Fernando surgiu entre 2006 e 2007, numa parceria entre Bumlai e uma família do agronegócio que progrediu muito no governo Lula, a Bertin. Donos de um grupo de frigoríficos que foi fortemente apoiado pelo BNDES, os Bertin acabaram quebrando e seus frigoríficos foram comprados pelo concorrente JBS, com mais dinheiro do BNDES. Bumlai ficou sozinho no negócio, mas as margens apertadas e o endividamento acabaram pressionando a empresa. A usina, com capacidade para moer 4,8 milhões de toneladas de cana por ano, faturou cerca de R$ 500 milhões no ano passado.

Plano. No fim do ano passado, os Bumlai capitalizaram a usina com mais de R$ 300 milhões e renegociaram dívidas com alguns credores. Treze dias atrás, pediram recuperação judicial. Agora, vão deixar de pagar suas dívidas pelos próximos seis meses.

"A intenção é apresentar aos credores um plano de recuperação em 60 dias", afirma o advogado Joel Bastos, do escritório Felsberg e Associados. "O que buscamos com a recuperação é alongar os prazos de pagamento e conseguir taxas de juros compatíveis com o setor", o que não acontece hoje, diz Guilerme Bumlai.

Fonte: Estadão


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